Henri Dubois · Correspondente de Endurance
Na sexta-feira à tarde em Austin, ficou evidente como a imagem de uma sessão para outra pode mudar drasticamente quando o desgaste dos pneus e a temperatura da pista se alteram.
No segundo treino livre do Lone Star Le Mans, quinta etapa da temporada de 2026 da WEC no Circuit of the Americas, Harry Tincknell e Tom Gamble no Aston Martin Valkyrie do THOR Team marcaram 1:52.567 minutos como a volta mais rápida do dia. Com isso, ultrapassaram a Ferrari AF Corse no pelotão de Hypercar, que havia dominado o primeiro treino da manhã com uma dobradinha. Na classe LMGT3, o Heart of Racing Team assumiu a liderança em seu circuito praticamente caseiro, enquanto o pelotão como um todo se compactou consideravelmente.
Aston Martin assume a liderança no pelotão Hypercar
Atrás da melhor volta de Tincknell e Gamble, o Alpine A424 de António Félix da Costa, Charles Milesi e Ferdinand Habsburg se posicionou com apenas 0,122 segundos de atraso. Em seguida veio o Genesis GMR-001 de Mathys Jaubert, Pipo Derani e André Lotterer, antes do segundo Alpine de Frédéric Makowiecki, Jules Gounon e Victor Martins já ocupar o quarto lugar, com uma diferença de três décimos do topo. A Alpine colocou assim ambos os carros na frente, o que para o campeonato como marca tem peso considerável, ainda que um treino de sexta-feira naturalmente revele pouco sobre o acerto e as quantidades de combustível.
Mais chamativo foi o recuo da Ferrari. Depois que a Scuderia AF Corse havia liderado o primeiro treino com ambos os carros oficiais, no segundo turno chegou apenas às posições seis e sete, com atrasos de 0,454 e 0,490 segundos para o topo. Se por trás disso havia um programa deliberadamente mais conservador com carga maior ou simplesmente a pista se movimentou a favor de outros conceitos de carro, não se pode extrair de uma única sessão de treino. O certo é que a Toyota entrou neste fim de semana como líder da classificação de construtores com 132 pontos, à frente da BMW com 127 e Ferrari com 88 pontos, e uma sexta-feira sem melhor volta para a Scuderia certamente será observada em Maranello, mas dificilmente superavaliada.
BMW em sincronia, Toyota discreta
Notavelmente próxima foi a disputa na BMW: os dois carros do M Team WRT, um com Kevin Magnussen, Raffaele Marciello e Dries Vanthoor, outro com Sheldon van der Linde, René Rast e Robin Frijns, foram separados apenas por nove milésimos de segundo. Para a classificação de construtores, em que desde a mudança regulatória de 2026 conta apenas a marca e não mais os times individuais, um duo tão equilibrado é um bom sinal, especialmente com a BMW tão perto do líder Toyota com seus 127 pontos.
A Cadillac chegou ao circuito caseiro com interesse especial. No carro da Hertz Team Jota estava Ricky Taylor como piloto adicional ao lado de Norman Nato e Will Stevens para este fim de semana, enquanto Sébastien Bourdais, Earl Bamber e Jack Aitken terminaram em décimo primeiro no carro irmão. A própria Toyota, atualmente primeira na classificação de construtores, se manteve discretamente nas posições doze e quinze, o que para um time com a experiência de Buemi, Hartley e Hirakawa se parece mais com um programa de testes cauteloso do que com uma fraqueza real.
Heart of Racing na liderança da classe LMGT3

Na classe LMGT3, a ordem se inverteu significativamente em relação à manhã. Mattia Drudi, Zacharie Robichon e Ian James levaram o Aston Martin Vantage GT3 Evo do Heart of Racing Team a 2:05.609 minutos, colocando-o na ponta de um circuito que o time considera praticamente como uma corrida em casa. Logo atrás, com cerca de quatro décimos de atraso, vieram dois Mercedes-AMG da Iron Lynx, primeiro o carro de Martin Berry, Rui Andrade e Maxime Martin, seguido de perto pelo trio Johannes Zelger, Matteo Cressoni e Lin Hodenius.
O McLaren da Garage 59, que havia liderado o primeiro treino da manhã com Marvin Kirchhöfer, Tom Fleming e Antares Au, caiu para vigésimo segundo lugar no segundo turno, enquanto o carro irmão com Benjamin Goethe, Finn Gehrsitz e Alexander West ficou como melhor Garage 59 em vigésimo primeiro. Como também na classe Hypercar, fica evidente aqui como pouco um único treino de sexta-feira diz sobre o desenrolar real da corrida. Apenas no terceiro treino livre no sábado de manhã e na qualificação seguinte com Hyperpole ficará claro quais times realmente se prepararam para as seis horas no domingo, e se o equilíbrio entre Aston Martin, Alpine e Ferrari no topo do pelotão Hypercar se mantém ao longo da distância total da prova.





