Leclerc antes de Austin: o pequeno passo da Ferrari não basta contra a Red Bull

Singapore, 11 October 2026 – Charles Leclerc finished the Singapore Grand Prix where he started, in second place, to claim Scuderia Ferrari HP’s 11th podium finish of the season.
3–5 minutos

Marco Rossi · Correspondente de F1

Depois do segundo lugar em Singapura, Charles Leclerc admite abertamente que as últimas atualizações da Ferrari não bastam para vencer Max Verstappen. Em Austin, a Scuderia leva seu último grande pacote para o SF-26.

Max Verstappen venceu duas vezes seguidas, e nas duas a Ferrari não estava perto o bastante no fim. Antes do Grande Prêmio dos Estados Unidos, em Austin (de 23 a 25 de outubro), Charles Leclerc faz um balanço sóbrio: as pequenas novidades que a Ferrari colocou no carro recentemente ajudaram, mas não bastam para acompanhar a Red Bull. A Ferrari ainda precisa trazer mais peças novas para chegar a esse nível, disse o monegasco depois da corrida em Singapura a vários veículos de imprensa, entre eles o Motorsport.com.

Singapura: segundo lugar, mas com distância

Em 11 de outubro, Leclerc largou em segundo no Marina Bay Street Circuit e saiu bem, mas Verstappen defendeu a liderança na primeira curva. Nas voltas iniciais, a Ferrari ficou por alguns momentos a menos de seis décimos da Red Bull, o que liberou o Overtake Mode para Leclerc. Mesmo assim, não deu para um ataque de verdade, e a partir do início da sétima volta a diferença voltou a crescer. Pouco depois, um primeiro Safety Car virtual neutralizou o pelotão, depois que Gabriel Bortoleto parou seu Audi com um possível problema no câmbio.

A partir daí, a Ferrari dividiu as estratégias. O próprio Leclerc deu a direção pelo rádio: Plano C, o oposto da Red Bull. Lewis Hamilton colocou pneus macios novos na volta 19, enquanto Leclerc só parou na volta 25, uma volta depois de Kimi Antonelli, voltou logo à frente do companheiro de equipe em quarto e pouco depois cravou o que até então era a volta mais rápida da corrida. Quando Lance Stroll parou seu Aston Martin na curva 15 com uma possível falha na embreagem, Leclerc aproveitou o segundo Safety Car virtual para mais uma parada nos boxes. Na volta 46, ele passou Hamilton, que estava sofrendo com os pneus, e subiu para segundo.

Àquela altura, porém, Verstappen já estava cerca de 15 segundos à frente. Até a bandeirada, Leclerc tirou mais ou menos metade disso e terminou 7,335 segundos atrás. Antonelli completou o pódio, enquanto Hamilton caiu na reta final para sexto, atrás de Lando Norris e Oscar Piastri, e pediu desculpas à equipe pelo rádio. Leclerc não reclamou da estratégia: não havia muito mais a fazer naquele dia, disse ele, no máximo uma largada um pouco mais agressiva. É justamente isso que deixa sua análise tão clara. Com o Plano C, a Ferrari foi rápida o suficiente para o segundo lugar, mas para a vitória faltou simplesmente ritmo.

Sepang: a Red Bull como referência na estratégia

Ahmet Mercan, Global Head of Motorsports CP at Red Bull and Laurent Mekies, Team Principal of Oracle Red Bull Racing celebrate on the pitwall during the F1 Grand Prix of Singapore at Marina Bay Street Circuit on October 11, 2026 in Singapore, Singapore. (Photo by Mark Thompson/Getty Images)
Ahmet Mercan, Global Head of Motorsports CP at Red Bull and Laurent Mekies, Team Principal of Oracle Red Bull Racing celebrate on the pitwall during the F1 Grand Prix of Singapore at Marina Bay Street Circuit on October 11, 2026 in Singapore, Singapore. (Photo by Mark Thompson/Getty Images)

Uma semana antes, Leclerc tinha levantado um segundo ponto, que tem pouco a ver com o carro. No Grande Prêmio do Bahrein, disputado neste ano em Sepang, a Ferrari apostou em pneus slick para os dois pilotos com a pista molhada, enquanto Verstappen largou da pole position com intermediários e venceu. Leclerc depois tocou no Audi de Nico Hülkenberg, foi aos boxes para trocar a asa dianteira e colocar intermediários e ainda assim se recuperou até o quarto lugar.

Depois da corrida, ele defendeu a decisão que havia tomado junto com a equipe e falou de uma escolha apertada. Ao mesmo tempo, apontou expressamente a Red Bull como a equipe que, na maioria das vezes, acerta esse tipo de decisão com os dois carros. A Ferrari precisa entender o que a Red Bull faz melhor, disse Leclerc, segundo relataram o PlanetF1 e o GrandPrix247, entre outros. Não é um acerto de contas com o próprio muro dos boxes, mas uma indicação clara de qual é a referência.

O que está em jogo em Austin

A classificação explica por que as palavras de Leclerc têm peso. No Mundial de Construtores, a Ferrari está em segundo com 444 pontos, bem atrás da Mercedes (578), mas à frente da McLaren (337) e da Red Bull (315). O título está fora de alcance, e o segundo lugar precisa ser defendido. No Mundial de Pilotos, Verstappen tem agora só seis pontos de vantagem sobre Leclerc, 221 a 215, e a Red Bull está com o embalo no momento.

Em Austin, a Ferrari quer reagir. Segundo veículos especializados como o Scuderia Fans, a Scuderia vai levar seu quarto e último grande pacote de atualizações para o SF-26, com mudanças no assoalho, nos sidepods e na carenagem superior. Não dá para esperar uma revolução, já que o departamento técnico há tempos está com o foco no carro de 2027. Se o pacote vai trazer o passo que Leclerc está cobrando, o Circuito das Américas vai mostrar.